domingo, 30 de novembro de 2014

visões

deixa sub
entendido
o que não era
pra ser lido
ou transcrito
deixa inibido
a paixão que você
sente e
escove os dentes
use detergente
e aguardente
para não feder tanto
do coração podre
e a mente
que mente
o que não mente:
o coração
e sente
o que muita gente
milhões
bilhões
deveriam sentir
e compartilhar
mas está somente em você
que irá correr
sem ver
o que está acontecendo
e você irá querer estar sem entender
e entenderá que o entender é amigo do sofrer
pois nele há a realidade, pobre realidade.




Rosas

Nunca estive tão distante de mim como agora
e tão perto de não ser ninguém, 
do vazio que já tive e agora tenho de novo
a pior desfeita que se pode ter é não ter o que você deseja
nem ser como você deseja
nem morrer como você deseja
nem Big Crunch
a! se o universo parasse de se expandir
e viesse até a mim
no engolir seco
acabando com minha dor
de saber que estou vivo
de saber que tudo sou
enquanto nada quero
e sendo nada
e querendo tudo
vou caminhando 
nesse caminho cheio de aflições, nesse mundo tão bonito
igual meu coração, tão bonito
rodeado e sufocado por rosas e espinhos
do qual não consigo retirar os espinhos
mas as rosas se foram...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

na dor da partida
eu queria ser ida
para ao teu lado
curtir a vida
e na saída
estar com você
todas as horas 
que não passa
no espaço-tempo
num foguete que parece
se passar um ano
e
cem anos aqui na terra
Se passarem 100 anos no foguete
e 10.000 anos aqui neste planeta     (einstein)
não seria o bastante 
os meus lábios nos seus 
que suplicariam por mais tempo
antes da terra acabar

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FALAMOS
                         





                                       

                                                     OCEANO        




na distância nós vamos remando
e avançando, estamos quase lá.
perto da maré         
                      mas deu preguiça né...                      

                                                                        




                                                                                      FAZEMOS
quando eu devia me importar com o significado das palavras
eu não me importo
quando eu não devia me importar
eu me importo
busco no dicionário
outro significado
um sinônimo inusitado

às vezes eu dou menos importância para elogios
e mais importância à críticas e insultos
quem sabe a partir das críticas eu ache quem sou
e insultos eu posso beber
e mijar
e mandar para o mar
para um peixe borbulhar
                                           eu não ligo para que os outros choram mesmo
                                          diz chaplin 
                              



Quando tudo que você
faz
parece incapaz de divertir
ou fazer sorrir
desde a infinitude do vazio existencial até a tristeza de sua alma
                                                                       quando as palavras perdem o seu valor
                                                                        a semântica não está mais no século XII
                                                                        nem o compromisso arisco
  
enquanto isso você se desfaz 
de tudo que parecia capaz
porque uma
das bilhões  
te afligiu
que nem águarrás
ácido sulfúrico 
é  a decepção 
e a rejeição
                          dói mais que uma espada no coração.

diáspora do essencial

    das grandes eu uso
    para assistirmos do pequeno
    o espetáculo.
 DAS PEQUENAS
 EU FAÇO A FESTA E

DESFAÇO
O INCÔMODO PLENO
de não ter lido o pequeno



A VIDA
passapassapassapassapassapassa               carpe diem
passapassapassapassapassapassa
passapassapassapassapassapassa
                 e
DISFARÇA

A INFINITUDE DE APROVEITÁ-LA

AOS OLHOS DE QUEM NÃO ULTRAPASSA

DEATH
HTAED

terça-feira, 25 de novembro de 2014

caos

os dias tem ficado cada vez mais dolorosos
eles entram em sua carne como se fossem arames
se entrelaçam em seus ossos
e arrancam sua clavícula
e fazem de você um palhaço sofredor
tendo que engolir o mundo
e ser engolido por ele
você já não sabe o que está ocorrendo
quando as paredes desmoronarem
você precisará de alguma proteção
mas você não tem mais aquele amigo
ou amiga
que tornaria suas mãos espalmadas
e beijaria seu rosto
a fim de sugar a lágrima que escorre tão vagarosamente
a sujeira que você faz em sua vida
e procura alguém para atribuir a culpa
uma borracha para a vida ou
uma máquina do tempo
não são  privilégios para você
e para ninguém
mas as marcas sempre estarão em seus pés
que tiveram que suportar todas essas toneladas de dor
e sua mente que em nada ajudou
só queria morrer.

sábado, 22 de novembro de 2014

o assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.



Paulo Leminski
Transar bem todas as ondas

a Papai do Céu pertence,

fazer as luas redondas

ou me nascer paranaense

A nós, gente, só foi dada

essa maldita capacidade,

transformar amor em nada.

           

              Paulo Leminski

Outro lugar

Tento acreditar
em tudo que existe 
e em tudo que eu
acredito existir
não sei distinguir
ambos
se vestem em mim
e eu
leigo
da vida
sei o que não devia saber
o que devia saber
espero saber antes
dos 100
passado disso
nem me importa 
mas
o mais passado
é meu otimismo
de que eu chegue 
aonde quero chegar 
fica longe de qualquer
lugar, onde não haja
o planeta terra dançando 
ao redor de si
dramático e lindo
translação 
sou eu
girando ao redor
disso
que se chama viver
escurece
clareia
escurece
clareia
escurece
escurece
death

sábado, 15 de novembro de 2014

arrumando a vida ( II )

e ela [a morte
te abraça
te cega
e te faz acreditar
que melhor
que isso
não há
é só acreditar
que existirá
uma nova
vida
com mesma
consciência
mas não sou
budista
nem
hinduísta
apesar
de gostar
da ideia
de ser
a reencarnação
da
girafa
ou da vaca
fora isso
não quero morrer
de amar
mas quero
aproveitar
as aliterações
e o mar
amando
[até
a próxima.



do avesso

não quero me vestir
mais assim
nem rir mais assim
nem falar
mais assim
nem andar
mais assim
mais assim
sem ser assim
eu teria menos de mim
mais assim
menos daquele outro
jeito
menos assim
eu me viro
do avesso
e faço
o contexto
de um pobre
sujeito
que se acha
tão do avesso
e fora do arremesso
da vida
para o avesso
que está desavessado
quem diria
o meu lado certo
era o que eu estava
antes
de ficar
do avesso

arrumando a vida ( I )

apupo à vida
quem ela pensa  que é
manda em tudo e em todos
e desmente o poder sobre nós
queria ser a vida
que pinta o sete
o oito
o nove
e o cem
que está
a deixar
o pensar
para quem acha
que dono dela
será
ela se acha
mal organizada
por
você
arruma
arruma
arruma
quando pensa que não
a vida te dá
um pé na bunda
quando você
está
quase conseguindo
para quê?
para a morte chegar


não sofro por poesia

na poesia
deito e rolo
associo
ao existente
e torno
inexistente
a associação
de eu
e você
não desperdiçarei
belas canções
com corações
que não aparecem
nem
para  dizer oi
ou que já foi
também
dono de estragar
poesias e canções
e não sabem
a mínima
como  minimizar
o estragar
e arrumar
o seu amar
mas vou desarrumando
mil corações
agora
com camões

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

eu sendo eu e amando ser

narcisista
eu
que me admiro
admiro esta poesia
que fiz
admiro
meus
defeitos
meus
elogios
não
minhas
palavras
meu
sorriso
meu relógio
os poetas
que gosto
ninguém
é
tão
legal
quanto
eu
sou
assim
meio
fechado
que
fala
e
faz
somente
o
necessário
e desfaço
o disfaçe
do que é
desnecessário
para desfazer
o entrelace
dessa minha mania
de ser
eu
e querer
ser eu de novo
mas
ninguém
quer ser
eu

entendendo

sou o x da sua questão
o carro na contra mão
o sol escaldante no sertão
sou a fada do seu dente
o estômago de seu aguardente
a chuva do seu chão
na rua
em vão
não quero ser a resposta
para todos as respostas
suas
quero ser
o mínimo que eu puder
fora de mim
e o máximo
dentro de você
onde se escondem
os futuros errantes
futuro presente

agora

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

a dança e sua solidão

festa
eu
você
dança
passo errado
cabeça no ombro
meu ombro
você
chora
mas festa
não é
para chorar
festa
é para
comemorar
então vamos
comemorar
a choradeira?
ou iremos
para outro lugar
onde não exista
chorar
somente exista
você e eu

para
comemorar
o fato de podermos
amar
e chorar
não
nesse lugar
vamos dançar?

vivo a querer viver

estou farto
de ver
aquele ou aquela
viver
ser
o que eu
não posso
eu deixo
me afogo
em deixar
vou esperando
a poeira abaixar
ou a maré voltar
para eu  sentir
na vida
o que há

na minha mente

me perco
tentando
achar
palavras para
expressar
o quanto te odeio
de mato
de anseio
te amargo
te crucifico
te maltrato
te esfarrapo
te parto ao meio
mas não esqueço
que te amo

a espera

ei você
que não me aparece
que não vem para o café
nem para o almoço
para o jantar
ou para o chá
da meia noite

ei você
que não fica aqui
do meu lado
até mesmo
desarrumado
desembrulhado
amarrado

ei você
que não me diz
o que eu fiz
para você
não aparecer
aqui
e me desamarrar
disso tudo
que se chama
esperar

viva à vida

você
que não vive
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
foi
quem não
voou
e não
aproveitou
isso que se chama
vida
uma bomba
que a qualquer hora
explodirá
na mão de quem?
voou
e não
rolou
para quem
se ausentou
a quem?
à vida
olha ela
olha ela
que não passa
que doce
você
que ultrapassa
minha razão
pena não poder
beijar sua mão
mas por você
sou tarado
beijo sua boca
em um retardo
ultrapasso

clamor por paz

vou ao
funeral
da paz
que nos traz
o cheiro podre
que assume
o estrume
que esconde
o vislumbre 
que assombra
paz
paz
paz
paz
PAZ
tudo que eu quero
não se faz
se desfaz
na paz
eu
rapaz
em busca de
paz
tudo que encontro
é a vida
o amor tem sido
muito utilizado
atualmente
para quem tem
sede de
um novo estado
de mente
não mente
as
justificativas
alienadas
muito bom
é o amor
quando usado
sem favor
para o outro
que tentou
o amor
não existe
para quem
muito insiste 

medíocre
esse seu jeito de não ser
quem quer que seja
que queira ser
que é
sociedade impede
eu ser
quem você não é
seu deus é
quem você não é
quem você não é
eu sou

um novo poeta

tenho pensado
em não pensar
mas se não penso
não escrevo
se não escrevo
eu não vivo
se não vivo
poesia não há
para eu contemplar
o arranjar
de um novo poeta
que de longe eu avisto
que minhas lágrimas acolherá
enquanto isso eu me enxugo
com Victor Hugo

sonhos

olhe bem
para o mal
não se sinta
tão normal
se sinta
algo novo
uma flor nova
que floresceu
no quintal
não estranhe
essa vida
estranhe a outra
tão invivida


morto
vivo
escrevo
morto
vivo
morto
para
viver
a
escrever
morto
dessa
vida
que
só me
traz
morte
em todos que estou
em todos que não estou
faço a sutil diferença de alterar
para o bem eu espero
que está a desvendar
o segredo dessa vida
e contemplar o gosto dessa morte
que sempre me procura
mas nunca me encontra
pelo menos não
até o final dessa poesia

domingo, 2 de novembro de 2014

Pra não dizer que não falei do amor

''O amor é uma mancha no meio do nada,
onde todos tentam transformar em alguma coisa para o tudo.
Esse é o grande erro.''

Irmandade, feita para quem?

 ''Vivemos num mundo onde somente é feito algo a alguém
  se este já tiver feito algo para o outro, estabelecendo assim
  uma necessidade doentia de reciprocidade.
  Se decidíssemos realizar ações sem nenhuma perspectiva,
  talvez o  problema da sociedade civil estivesse resolvido.'' 

PENSANDO

''O pensamento tem sido algo tão inutilizado,
que ele não para de pensar na possibilidade de ser pensado.''

O papel do homem

''Nós ansiamos por coisas que ainda não possuímos ou desvendamos,
  para a partir delas darmos um sentido à vida.''

sábado, 1 de novembro de 2014

Apologia ao mistério

''A dúvida é o que traz sentido à ciência e ao ato de viver,
a infinitude das incertezas e das dúvidas nos revitaliza.
Se chegássemos  a viver em um mundo onde não há mistérios,
o progresso estaria enterrado e o homem passaria a viver do ócio.''

Talvez

A incerteza que tenho de tudo, me aflige a ponto de não acreditar em quem sou, duvidar do que é real e como estou.
Sei  onde estou, mas não sei à que estou situado e o que ocorre sobre mim, não obstante, espero sempre me surpreender com as façanhas da vida que não me surpreende, assim me surpreendo de uma forma ou de outra. 
A triste falácia de que sua história já está escrita me agride, talvez por ter alguém parra colocar a culpa ou puro desinteresse para entender a vida, me sinto desconfortável de não possuir uma borracha para a vida.
A vida na qual não mudo o passado mas mudo o presente e consequentemente o futuro, se eu pudesse voltar no tempo não cometeria a tolice de fazer tudo igual, há décadas o homem tenta desvendar o mistério das multi-dimensões e expandir o espaço-tempo, se chegássemos à este privilégio, por que faria tudo igual?
A ideia de alguns que se caso voltassem no tempo repetiriam tudo me entristece, afinal qual é a lógica nisso?
 Mas ainda não podemos voltar no tempo, talvez Einstein precisaria somente de mais duas décadas, ou menos.
Na verdade cada um possui um livro em branco, o maior livro do universo, vagando por uma das multi-dimensões, em um planeta onde você seja um mímico, feito de açúcar talvez.
Mas o que de fato importa é que todos os dias de sua vida você preenche uma página, alguns conseguem chegar às trinta e duas mil e oitocentos e cinquenta páginas outros não chegam nem até a metade, cada um responsável por escolher a trama e ao  final o título de seu livro.
A única certeza que possuímos é a incerteza e as páginas em branco.