Quando nenhuma música lhe satisfaz
Nem mesmo aquela, única
As palavras já não expressam sua sei lá o que
Uma sinestesia, a qual predomina a tristeza
Você quer e tenta escrever sobre qualquer outra coisa
Mas seu foco está somente no indesejado
Quando escreve textos, achando que conseguiu mudar o tema
Você repara que se trata daquilo que não queria escrever
Ao menos para você.
Quando algo lhe atormenta a ponto de só desejar estar morto, dilacerado, com vermes sobre seu corpo, enterrado.
Quando você não sabe qual rumo tomar, qual caminho percorrer, mas ao mesmo tempo você quer aproveitar, mas tudo parece complicar na sua vida, tudo é mais complicado na sua vida.
Quando você quer encontrar uma saída para não sofrer, para não gerar sofrimento, mas você se sente encurralado, imprensado, num cubo, o qual as faces e bases parecem querer lhe torturar, quebrar, mas nunca matar.
E quando você acha que o melhor é não prosseguir e parar onde está, retroceder, eliminar.
E um pensamento lhe perturba: ''A culpa disto tudo é minha, a maior parte. Eu ajo sempre errado e faço as coisas erradas, mas que pareciam as atividades certas a se fazer.''
E você só pensa, pensa, pensa, mas nada prece solucionar de forma ampla e efetiva, para que tudo fique bem, nesta vida nada fica bem por muito tempo.
Seu coração é muito quente, sua mente muito envolvente, que não se satisfaz com poucos risos, abraços, doces palavras, belas relações, não se satisfaz com pouco de tudo, mas com muito de pouco.
Como você queria somente ir para casa e escapar de tudo isso, você busca isso, quer isso, mas tudo parece irrelevante.
Quando a única resposta e saída que você possui é talvez a mais dolorosa de todas: o tempo.
Quando você não queria ser você, em momentos, que viram experimentos de querer não ser pela eternidade.
Porém o mais doloroso disto tudo, é quando ''você'' sou eu.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
O mundo e suas respostas
Quando não tenho para onde correr
Só me resta acompanhar
As horas que passam
E recondicionar
O bem estar
Torná-lo sem condições
Com grandes emoções
Ouvir o pulsar do meu coração
corações
Medir a aceleração
Com a qual me distraio
E ensaio
Antes de falar com você
no chuveiro
no espelho
sei, que não posso controlar tudo
Mas vou questionando o mundo
Que só me traz respostas assim
Frágeis
e instáveis
difícil de acreditar em sua veracidade
genuinidade
ingenuidade
sou eu
achando que sei quem sou
e quem o mundo é
mas se ele não me dá respostas concretas
não estou
nada sou.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Autoria
Já não tenho com quem conversar
tenho
mas não converso
já cansei de conversar comigo
agora preciso escrever mais do que nunca
o quanto é sufocante não encontrar adjetivos
para explicar
o que eu sinto, o que existe, não é só sinestesia
amor é anestesia
eu sinto o que cada um sentiu de diferente
e não soube explicar
vou me perdendo
em neologismos
tremendos
como clarice
estou vendo
a arte de não saber o que sente
e se arrepender da própria história
feita por ela
por mim
me arrependo
depois do presente
passado
desgraça é só uma metonímia
para vida.
tenho
mas não converso
já cansei de conversar comigo
agora preciso escrever mais do que nunca
o quanto é sufocante não encontrar adjetivos
para explicar
o que eu sinto, o que existe, não é só sinestesia
amor é anestesia
eu sinto o que cada um sentiu de diferente
e não soube explicar
vou me perdendo
em neologismos
tremendos
como clarice
estou vendo
a arte de não saber o que sente
e se arrepender da própria história
feita por ela
por mim
me arrependo
depois do presente
passado
desgraça é só uma metonímia
para vida.
O plano do diabo
Algo vem de repente
como quem não quer nada
foi escrito por deus
era coisa boa demais
mas não pareceu capaz
de terminar
jogou no lixo
lá em baixo
perto da porta do inferno
o diabo esperto
conseguiu terminar
em várias páginas
o plano vira livro
umas mil páginas
as quais perdeu as dez últimas
que seriam a solução do que é hoje insolucionável
sem as páginas finais de tal livro
que escafederam-se
ele o joga no planeta terra
livro tal, que despojou toda sua astúcia, dor, inteligência e estupidez
esse é seu melhor livro
ele ainda o intitulou
audaciosamente
de Amor
não é mesmo bukowski ( O Amor É um Cão dos Diabos)
como quem não quer nada
foi escrito por deus
era coisa boa demais
mas não pareceu capaz
de terminar
jogou no lixo
lá em baixo
perto da porta do inferno
o diabo esperto
conseguiu terminar
em várias páginas
o plano vira livro
umas mil páginas
as quais perdeu as dez últimas
que seriam a solução do que é hoje insolucionável
sem as páginas finais de tal livro
que escafederam-se
ele o joga no planeta terra
livro tal, que despojou toda sua astúcia, dor, inteligência e estupidez
esse é seu melhor livro
ele ainda o intitulou
audaciosamente
de Amor
não é mesmo bukowski ( O Amor É um Cão dos Diabos)
As pequenas coisas
pARE
dE NÃO ACREDITAR
dE NÃO FALAR
dE NÃO DEIXAR
eM SUA VIDA
sOMENTE ACONTECERÁ
o QUE VOCÊ SABE QUE VALE A PENA
mAS MUDE
iNFRINJA
e NÃO COMEÇE
e NÃO SONHE
dO PEQUENO
cOMEÇE DO MAIOR POSSÍVEL
e DEPOIS VERÁS
qUE NA VIDA
aS PEQUENAS COISAS
sUTIS, IMPORTAM
mAIS QUE TUDO
qUE ENTORTA
a RESPOSTA
e QUE AS GRANDES COISAS
sÓ AS GRANDES COISAS
eSTRAGAM
aPROVEITE AS COISAS MINÚSCULAS DA VIDA
aS MAÍÚSCULAS
cAGAM
e TORNAM AS COISAS HORRÍVEIS
cOMO ESTA POESIA.
dE NÃO ACREDITAR
dE NÃO FALAR
dE NÃO DEIXAR
eM SUA VIDA
sOMENTE ACONTECERÁ
o QUE VOCÊ SABE QUE VALE A PENA
mAS MUDE
iNFRINJA
e NÃO COMEÇE
e NÃO SONHE
dO PEQUENO
cOMEÇE DO MAIOR POSSÍVEL
e DEPOIS VERÁS
qUE NA VIDA
aS PEQUENAS COISAS
sUTIS, IMPORTAM
mAIS QUE TUDO
qUE ENTORTA
a RESPOSTA
e QUE AS GRANDES COISAS
sÓ AS GRANDES COISAS
eSTRAGAM
aPROVEITE AS COISAS MINÚSCULAS DA VIDA
aS MAÍÚSCULAS
cAGAM
e TORNAM AS COISAS HORRÍVEIS
cOMO ESTA POESIA.
domingo, 30 de novembro de 2014
visões
deixa sub
entendido
o que não era
pra ser lido
ou transcrito
deixa inibido
a paixão que você
sente e
escove os dentes
use detergente
e aguardente
para não feder tanto
do coração podre
e a mente
que mente
o que não mente:
o coração
e sente
o que muita gente
milhões
bilhões
deveriam sentir
e compartilhar
mas está somente em você
que irá correr
sem ver
o que está acontecendo
e você irá querer estar sem entender
e entenderá que o entender é amigo do sofrer
pois nele há a realidade, pobre realidade.
entendido
o que não era
pra ser lido
ou transcrito
deixa inibido
a paixão que você
sente e
escove os dentes
use detergente
e aguardente
para não feder tanto
do coração podre
e a mente
que mente
o que não mente:
o coração
e sente
o que muita gente
milhões
bilhões
deveriam sentir
e compartilhar
mas está somente em você
que irá correr
sem ver
o que está acontecendo
e você irá querer estar sem entender
e entenderá que o entender é amigo do sofrer
pois nele há a realidade, pobre realidade.
Rosas
Nunca estive tão distante de mim como agora
e tão perto de não ser ninguém,
do vazio que já tive e agora tenho de novo
a pior desfeita que se pode ter é não ter o que você deseja
nem ser como você deseja
nem morrer como você deseja
nem Big Crunch
a! se o universo parasse de se expandir
e viesse até a mim
no engolir seco
acabando com minha dor
de saber que estou vivo
de saber que tudo sou
enquanto nada quero
e sendo nada
e querendo tudo
vou caminhando
nesse caminho cheio de aflições, nesse mundo tão bonito
igual meu coração, tão bonito
rodeado e sufocado por rosas e espinhos
do qual não consigo retirar os espinhos
mas as rosas se foram...
mas as rosas se foram...
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
na dor da partida
eu queria ser ida
para ao teu lado
curtir a vida
e na saída
estar com você
todas as horas
que não passa
no espaço-tempo
num foguete que parece
se passar um ano
e
cem anos aqui na terra
e
cem anos aqui na terra
Se passarem 100 anos no foguete
e 10.000 anos aqui neste planeta (einstein)
não seria o bastante
os meus lábios nos seus
que suplicariam por mais tempo
antes da terra acabar
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
quando eu devia me importar com o significado das palavras
eu não me importo
quando eu não devia me importar
eu me importo
busco no dicionário
outro significado
um sinônimo inusitado
às vezes eu dou menos importância para elogios
e mais importância à críticas e insultos
quem sabe a partir das críticas eu ache quem sou
e insultos eu posso beber
e mijar
e mandar para o mar
para um peixe borbulhar
eu não ligo para que os outros choram mesmo
diz chaplin
eu não me importo
quando eu não devia me importar
eu me importo
busco no dicionário
outro significado
um sinônimo inusitado
às vezes eu dou menos importância para elogios
e mais importância à críticas e insultos
quem sabe a partir das críticas eu ache quem sou
e insultos eu posso beber
e mijar
e mandar para o mar
para um peixe borbulhar
eu não ligo para que os outros choram mesmo
diz chaplin
Quando tudo que você
faz
parece incapaz de divertir
ou fazer sorrir
desde a infinitude do vazio existencial até a tristeza de sua alma
quando as palavras perdem o seu valor
a semântica não está mais no século XII
nem o compromisso arisco
enquanto isso você se desfaz
de tudo que parecia capaz
porque uma
das bilhões
te afligiu
que nem águarrás
ácido sulfúrico
é a decepção
e a rejeição
dói mais que uma espada no coração.
diáspora do essencial
das grandes eu uso
para assistirmos do pequeno
o espetáculo.
DAS PEQUENAS
EU FAÇO A FESTA E
DESFAÇO
O INCÔMODO PLENO
de não ter lido o pequeno
terça-feira, 25 de novembro de 2014
caos
os dias tem ficado cada vez mais dolorosos
eles entram em sua carne como se fossem arames
se entrelaçam em seus ossos
e arrancam sua clavícula
e fazem de você um palhaço sofredor
tendo que engolir o mundo
e ser engolido por ele
você já não sabe o que está ocorrendo
quando as paredes desmoronarem
você precisará de alguma proteção
mas você não tem mais aquele amigo
ou amiga
que tornaria suas mãos espalmadas
e beijaria seu rosto
a fim de sugar a lágrima que escorre tão vagarosamente
a sujeira que você faz em sua vida
e procura alguém para atribuir a culpa
uma borracha para a vida ou
uma máquina do tempo
não são privilégios para você
e para ninguém
mas as marcas sempre estarão em seus pés
que tiveram que suportar todas essas toneladas de dor
e sua mente que em nada ajudou
só queria morrer.
eles entram em sua carne como se fossem arames
se entrelaçam em seus ossos
e arrancam sua clavícula
e fazem de você um palhaço sofredor
tendo que engolir o mundo
e ser engolido por ele
você já não sabe o que está ocorrendo
quando as paredes desmoronarem
você precisará de alguma proteção
mas você não tem mais aquele amigo
ou amiga
que tornaria suas mãos espalmadas
e beijaria seu rosto
a fim de sugar a lágrima que escorre tão vagarosamente
a sujeira que você faz em sua vida
e procura alguém para atribuir a culpa
uma borracha para a vida ou
uma máquina do tempo
não são privilégios para você
e para ninguém
mas as marcas sempre estarão em seus pés
que tiveram que suportar todas essas toneladas de dor
e sua mente que em nada ajudou
só queria morrer.
sábado, 22 de novembro de 2014
o assassino era o escriba
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Paulo Leminski
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Paulo Leminski
Outro lugar
Tento acreditar
em tudo que existe
e em tudo que eu
acredito existir
não sei distinguir
ambos
se vestem em mim
e eu
leigo
da vida
sei o que não devia saber
o que devia saber
espero saber antes
dos 100
passado disso
nem me importa
mas
o mais passado
é meu otimismo
de que eu chegue
aonde quero chegar
fica longe de qualquer
lugar, onde não haja
o planeta terra dançando
ao redor de si
dramático e lindo
translação
sou eu
girando ao redor
disso
que se chama viver
escurece
clareia
escurece
clareia
escurece
escurece
death
sábado, 15 de novembro de 2014
arrumando a vida ( II )
e ela [a morte
te abraça
te cega
e te faz acreditar
que melhor
que isso
não há
é só acreditar
que existirá
uma nova
vida
com mesma
consciência
mas não sou
budista
nem
hinduísta
apesar
de gostar
da ideia
de ser
a reencarnação
da
girafa
ou da vaca
fora isso
não quero morrer
de amar
mas quero
aproveitar
as aliterações
e o mar
amando
[até
a próxima.
te abraça
te cega
e te faz acreditar
que melhor
que isso
não há
é só acreditar
que existirá
uma nova
vida
com mesma
consciência
mas não sou
budista
nem
hinduísta
apesar
de gostar
da ideia
de ser
a reencarnação
da
girafa
ou da vaca
fora isso
não quero morrer
de amar
mas quero
aproveitar
as aliterações
e o mar
amando
[até
a próxima.
do avesso
não quero me vestir
mais assim
nem rir mais assim
nem falar
mais assim
nem andar
mais assim
mais assim
sem ser assim
eu teria menos de mim
mais assim
menos daquele outro
jeito
menos assim
eu me viro
do avesso
e faço
o contexto
de um pobre
sujeito
que se acha
tão do avesso
e fora do arremesso
da vida
para o avesso
que está desavessado
quem diria
o meu lado certo
era o que eu estava
antes
de ficar
do avesso
mais assim
nem rir mais assim
nem falar
mais assim
nem andar
mais assim
mais assim
sem ser assim
eu teria menos de mim
mais assim
menos daquele outro
jeito
menos assim
eu me viro
do avesso
e faço
o contexto
de um pobre
sujeito
que se acha
tão do avesso
e fora do arremesso
da vida
para o avesso
que está desavessado
quem diria
o meu lado certo
era o que eu estava
antes
de ficar
do avesso
arrumando a vida ( I )
apupo à vida
quem ela pensa que é
manda em tudo e em todos
e desmente o poder sobre nós
queria ser a vida
que pinta o sete
o oito
o nove
e o cem
que está
a deixar
o pensar
para quem acha
que dono dela
será
ela se acha
mal organizada
por
você
arruma
arruma
arruma
quando pensa que não
a vida te dá
um pé na bunda
quando você
está
quase conseguindo
para quê?
para a morte chegar
quem ela pensa que é
manda em tudo e em todos
e desmente o poder sobre nós
queria ser a vida
que pinta o sete
o oito
o nove
e o cem
que está
a deixar
o pensar
para quem acha
que dono dela
será
ela se acha
mal organizada
por
você
arruma
arruma
arruma
quando pensa que não
a vida te dá
um pé na bunda
quando você
está
quase conseguindo
para quê?
para a morte chegar
não sofro por poesia
na poesia
deito e rolo
associo
ao existente
e torno
inexistente
a associação
de eu
e você
não desperdiçarei
belas canções
com corações
que não aparecem
nem
para dizer oi
ou que já foi
também
dono de estragar
poesias e canções
e não sabem
a mínima
como minimizar
o estragar
e arrumar
o seu amar
mas vou desarrumando
mil corações
agora
com camões
deito e rolo
associo
ao existente
e torno
inexistente
a associação
de eu
e você
não desperdiçarei
belas canções
com corações
que não aparecem
nem
para dizer oi
ou que já foi
também
dono de estragar
poesias e canções
e não sabem
a mínima
como minimizar
o estragar
e arrumar
o seu amar
mas vou desarrumando
mil corações
agora
com camões
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
eu sendo eu e amando ser
narcisista
eu
que me admiro
admiro esta poesia
que fiz
admiro
meus
defeitos
meus
elogios
não
minhas
palavras
meu
sorriso
meu relógio
os poetas
que gosto
ninguém
é
tão
legal
quanto
eu
sou
assim
meio
fechado
que
fala
e
faz
somente
o
necessário
e desfaço
o disfaçe
do que é
desnecessário
para desfazer
o entrelace
dessa minha mania
de ser
eu
e querer
ser eu de novo
mas
ninguém
quer ser
eu
eu
que me admiro
admiro esta poesia
que fiz
admiro
meus
defeitos
meus
elogios
não
minhas
palavras
meu
sorriso
meu relógio
os poetas
que gosto
ninguém
é
tão
legal
quanto
eu
sou
assim
meio
fechado
que
fala
e
faz
somente
o
necessário
e desfaço
o disfaçe
do que é
desnecessário
para desfazer
o entrelace
dessa minha mania
de ser
eu
e querer
ser eu de novo
mas
ninguém
quer ser
eu
entendendo
sou o x da sua questão
o carro na contra mão
o sol escaldante no sertão
sou a fada do seu dente
o estômago de seu aguardente
a chuva do seu chão
na rua
em vão
não quero ser a resposta
para todos as respostas
suas
quero ser
o mínimo que eu puder
fora de mim
e o máximo
dentro de você
onde se escondem
os futuros errantes
futuro presente
agora
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
a dança e sua solidão
festa
eu
você
dança
passo errado
cabeça no ombro
meu ombro
você
chora
mas festa
não é
para chorar
festa
é para
comemorar
então vamos
comemorar
a choradeira?
ou iremos
para outro lugar
onde não exista
chorar
somente exista
você e eu
lá
para
comemorar
o fato de podermos
amar
e chorar
não
nesse lugar
vamos dançar?
eu
você
dança
passo errado
cabeça no ombro
meu ombro
você
chora
mas festa
não é
para chorar
festa
é para
comemorar
então vamos
comemorar
a choradeira?
ou iremos
para outro lugar
onde não exista
chorar
somente exista
você e eu
lá
para
comemorar
o fato de podermos
amar
e chorar
não
nesse lugar
vamos dançar?
vivo a querer viver
estou farto
de ver
aquele ou aquela
viver
e
ser
o que eu
não posso
eu deixo
me afogo
em deixar
vou esperando
a poeira abaixar
ou a maré voltar
para eu sentir
na vida
o que há
na minha mente
me perco
tentando
achar
palavras para
expressar
o quanto te odeio
de mato
de anseio
te amargo
te crucifico
te maltrato
te esfarrapo
te parto ao meio
mas não esqueço
que te amo
tentando
achar
palavras para
expressar
o quanto te odeio
de mato
de anseio
te amargo
te crucifico
te maltrato
te esfarrapo
te parto ao meio
mas não esqueço
que te amo
a espera
ei você
que não me aparece
que não vem para o café
nem para o almoço
para o jantar
ou para o chá
da meia noite
ei você
que não fica aqui
do meu lado
até mesmo
desarrumado
desembrulhado
amarrado
ei você
que não me diz
o que eu fiz
para você
não aparecer
aqui
e me desamarrar
disso tudo
que se chama
esperar
que não me aparece
que não vem para o café
nem para o almoço
para o jantar
ou para o chá
da meia noite
ei você
que não fica aqui
do meu lado
até mesmo
desarrumado
desembrulhado
amarrado
ei você
que não me diz
o que eu fiz
para você
não aparecer
aqui
e me desamarrar
disso tudo
que se chama
esperar
viva à vida
você
que não vive
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
foi
quem não
voou
e não
aproveitou
isso que se chama
vida
uma bomba
que a qualquer hora
explodirá
na mão de quem?
voou
e não
rolou
para quem
se ausentou
a quem?
à vida
que não vive
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
voe
foi
quem não
voou
e não
aproveitou
isso que se chama
vida
uma bomba
que a qualquer hora
explodirá
na mão de quem?
voou
e não
rolou
para quem
se ausentou
a quem?
à vida
clamor por paz
vou ao
funeral
da paz
que nos traz
o cheiro podre
que assume
o estrume
que esconde
o vislumbre
que assombra
paz
paz
paz
paz
PAZ
tudo que eu quero
não se faz
se desfaz
na paz
eu
rapaz
em busca de
paz
tudo que encontro
é a vida
um novo poeta
tenho pensado
em não pensar
mas se não penso
não escrevo
se não escrevo
eu não vivo
se não vivo
poesia não há
para eu contemplar
o arranjar
de um novo poeta
que de longe eu avisto
que minhas lágrimas acolherá
enquanto isso eu me enxugo
com Victor Hugo
em não pensar
mas se não penso
não escrevo
se não escrevo
eu não vivo
se não vivo
poesia não há
para eu contemplar
o arranjar
de um novo poeta
que de longe eu avisto
que minhas lágrimas acolherá
enquanto isso eu me enxugo
com Victor Hugo
sonhos
olhe bem
para o mal
não se sinta
tão normal
se sinta
algo novo
uma flor nova
que floresceu
no quintal
não estranhe
essa vida
estranhe a outra
tão invivida
para o mal
não se sinta
tão normal
se sinta
algo novo
uma flor nova
que floresceu
no quintal
não estranhe
essa vida
estranhe a outra
tão invivida
domingo, 2 de novembro de 2014
Pra não dizer que não falei do amor
''O amor é uma mancha no meio do nada,
onde todos tentam transformar em alguma coisa para o tudo.
Esse é o grande erro.''
onde todos tentam transformar em alguma coisa para o tudo.
Esse é o grande erro.''
Irmandade, feita para quem?
''Vivemos num mundo onde somente é feito algo a alguém
se este já tiver feito algo para o outro, estabelecendo assim
uma necessidade doentia de reciprocidade.
Se decidíssemos realizar ações sem nenhuma perspectiva,
talvez o problema da sociedade civil estivesse resolvido.''
uma necessidade doentia de reciprocidade.
Se decidíssemos realizar ações sem nenhuma perspectiva,
talvez o problema da sociedade civil estivesse resolvido.''
PENSANDO
''O pensamento tem sido algo tão inutilizado,
que ele não para de pensar na possibilidade de ser pensado.''
O papel do homem
''Nós ansiamos por coisas que ainda não possuímos ou desvendamos,
para a partir delas darmos um sentido à vida.''
para a partir delas darmos um sentido à vida.''
sábado, 1 de novembro de 2014
Apologia ao mistério
''A dúvida é o que traz sentido à ciência e ao ato de viver,
a infinitude das incertezas e das dúvidas nos revitaliza.
Se chegássemos a viver em um mundo onde não há mistérios,
o progresso estaria enterrado e o homem passaria a viver do ócio.''
a infinitude das incertezas e das dúvidas nos revitaliza.
Se chegássemos a viver em um mundo onde não há mistérios,
o progresso estaria enterrado e o homem passaria a viver do ócio.''
Talvez
A incerteza que tenho de tudo, me aflige a ponto de não acreditar em quem sou, duvidar do que é real e como estou.
Sei onde estou, mas não sei à que estou situado e o que ocorre sobre mim, não obstante, espero sempre me surpreender com as façanhas da vida que não me surpreende, assim me surpreendo de uma forma ou de outra.
A triste falácia de que sua história já está escrita me agride, talvez por ter alguém parra colocar a culpa ou puro desinteresse para entender a vida, me sinto desconfortável de não possuir uma borracha para a vida.
A vida na qual não mudo o passado mas mudo o presente e consequentemente o futuro, se eu pudesse voltar no tempo não cometeria a tolice de fazer tudo igual, há décadas o homem tenta desvendar o mistério das multi-dimensões e expandir o espaço-tempo, se chegássemos à este privilégio, por que faria tudo igual?
A ideia de alguns que se caso voltassem no tempo repetiriam tudo me entristece, afinal qual é a lógica nisso?
A vida na qual não mudo o passado mas mudo o presente e consequentemente o futuro, se eu pudesse voltar no tempo não cometeria a tolice de fazer tudo igual, há décadas o homem tenta desvendar o mistério das multi-dimensões e expandir o espaço-tempo, se chegássemos à este privilégio, por que faria tudo igual?
A ideia de alguns que se caso voltassem no tempo repetiriam tudo me entristece, afinal qual é a lógica nisso?
Mas ainda não podemos voltar no tempo, talvez Einstein precisaria somente de mais duas décadas, ou menos.
Na verdade cada um possui um livro em branco, o maior livro do universo, vagando por uma das multi-dimensões, em um planeta onde você seja um mímico, feito de açúcar talvez.
Mas o que de fato importa é que todos os dias de sua vida você preenche uma página, alguns conseguem chegar às trinta e duas mil e oitocentos e cinquenta páginas outros não chegam nem até a metade, cada um responsável por escolher a trama e ao final o título de seu livro.
A única certeza que possuímos é a incerteza e as páginas em branco.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Você prefere
Ser o que você quer?
Ser o que você não quer?
Ser o que os outros querem que você seja?
Ser o que os outros querem que você não seja?
Ser o que os outros querem que você seja mas você não quer?
Ser o que os outros não querem que você seja mas você quer?
Ser o que os outros querem que você seja e você quer?
Ser o que os outros não querem que você seja e você não quer?
Ser o que você é.
Ser o que você não quer?
Ser o que os outros querem que você seja?
Ser o que os outros querem que você não seja?
Ser o que os outros querem que você seja mas você não quer?
Ser o que os outros não querem que você seja mas você quer?
Ser o que os outros querem que você seja e você quer?
Ser o que os outros não querem que você seja e você não quer?
Ser o que você é.
Trituração
Tenho pensado muito na vida, deixei isso de lado.
Quem pensa muito na vida certamente não sabe aproveitá-la, mas queria não sentir remorso.
Na medida que desvio minha atenção em achar que não sei sobre a vida, eu acho, pois prefiro achar do que não achar achando que não acho.
Tudo que sei sobre ela não cabe em mim, o que não sei estará por aí, em uma bala qualquer a acertar um crânio.
Não saber o que fazer durante a mocidade é enfraquecer o tempo, não vivê-lo da forma que ele passa, dançando em sua direção com um convite irrecusável porém inalcançável.
O mais pitoresco nisso tudo é que o mundo de mastiga e te cospe, com todas as ideias e sonhos, antes mesmo que você ache alguma coisa, pois na certeza de nada, há a incerteza de tudo.
Mas temos muito o que conquistar, a história está a espera de mais nomes, onde possa ser escrita da forma mais louca possível.
Isso não sou eu pensando na vida, sou eu pensando em aproveitar os sonhos que o mundo já cuspiu.
sábado, 25 de outubro de 2014
TEXTO ''PILOTO''
Como de costume, não sou cordial quanto à apresentação de blogs, o que era para ser a primeira publicação está sendo a quarta.
Enfim, este aqui terá como foco desde análises críticas ou não de obras, passando por textos autorais um pouco longos, citações curtas, chegando ao acervo de vídeos, imagens e conteúdo bibliográfico. Nos textos autorais será abordado temas com o aspecto coletivo e individualista, mas nunca se tratando do meu eu, todos escritos engenhosamente em uma garagem durante o fim do universo.
Enfim, este aqui terá como foco desde análises críticas ou não de obras, passando por textos autorais um pouco longos, citações curtas, chegando ao acervo de vídeos, imagens e conteúdo bibliográfico. Nos textos autorais será abordado temas com o aspecto coletivo e individualista, mas nunca se tratando do meu eu, todos escritos engenhosamente em uma garagem durante o fim do universo.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski
Bom, agora estou aqui para falar da obra ''Memórias do Subsolo'' ou ''Notas do Subsolo'', livro que li aos catorze anos. Sempre fui fascinado pela literatura russa por abordarem de forma peculiar temas como: romance, drama, ficção, patriotismo e realismo, sendo abordados principalmente na era de ouro da literatura russa com uma aprimoração literária, semântica e filosófica.
Memória do Subsolo, escrito por Fiódor Dostoiévski, sempre com romances e dramas psicológicos/sociológicos complicados, retrata um simples trabalhador russo civil, que já aposentado reside no subsolo de um edifício na cidade de Petersburgo, triste e petulante.
No desenvolvimento da história, o protagonista que não possui um nome, por sua vez chamado de ''Homem Subterrâneo'', é apresentado como teimoso, egocêntrico e não dá a mínima para os sentimentos alheios, não ver sentido algum em ajudar alguém.
Há partes do livro em que ocorre uma espécie de introspecção, onde o personagem supõe os conceitos formados pelo leitor a respeito de dele, expressos através de pensamentos e ideias.
O homem subterrâneo mora somente com um empregado, com quem não conversa muito, mas relata situações vividas para o mesmo, o qual não dá muita importância.
O seu estranho gosto pela maldade chega a assustar, mas isso também o perturba, pois é um homem cheio de correntes filosóficas, não aceita sua classificação social de mero trabalhador e isso chega a tirar seu sono, nada vai bem para ele e tudo é muito chato, um típico pessimista.
Esta primeira parte do livro é convidativa, pois somente depois dessa ''introdução'' a história de fato se inicia.
Depois da introdução de quase cinquenta por cento, se iniciam suas tristes e deprimentes memórias, a respeito de acontecimentos de sua vida, das mais remotas as mais recentes, tudo isso numa melancolia contagiante, durante todo o decorrer da história é notável a necessidade do personagem de desabrochar e se expressar de alguma forma todo essa dor e remorso, que o aflige e o faz infeliz,
O homem subterrâneo é uma montanha russa, acredita que em meio a tudo o que passa, consegue rir de seus atos maléficos? É o que o faz feliz, mas ele não quer ser assim, e uma luta do consciente, do eu interior perturbante que envolve o leitor. Ao mesmo tempo que é relatado o drama, o livro relata parcialmente a cena do trabalhador russo menos favorecido do século XIX , com críticas ao positivismo e às leis naturais em que o homem está submerso. O livro é finalizado com a ideia de que o personagem precisa se libertar de seus pensamentos perturbantes e se aliviar, através do ato de escrever.
Ler ou Escrever?
Nossa, esse é um grande dilema, considero escrever mais frustrante, por isso gosto mais de ler, não obstante, ao término da leitura ou no meio do processo sinto uma imensa vontade de escrever.
Escrevo pouco ao papel, adoro digitar no computador, mas gosto mais ainda de datilografar, um gosto falso, pois não possuo uma máquina datilográfica, mas queria muito.
Ao ler tenho a oportunidade de me desligar do mundo exterior e me encontrar na história, como um mero observador invisível, sem papel na história. A partir daí passo a ter sinestesias e conflitos com o autor, querer mudar a história, não querer mudar a história e exalar suor pela mãos de tanta ansiedade para chegar ao final do livro. Os livros podem ser decepcionantes, fascinantes, surpreendentes ou incrivelmente fascinantes e surpreendentes, não existem livros ilegíveis, qualquer livro está a espreita aguardando o leitor certo para possuí-lo e usá-lo.
Ao escrever, me sinto como o homem mais livre do universo, em parte, possuo textos que não publico, os textos de blogs possuem uma certa moderação e elegância. Todas as minhas fronteiras psicológicas se rompem e me trazem consigo a união de três dimensões infinitas, a cada palavra escrita com espontaneidade uma vontade infinita de escrever, que nunca é saciada, exceto quando canso do que estou escrevendo, me chateia, aí apago tudo e me irrito. Gosto de escrever durante a madrugada, pois é o momento em que mais observo o silêncio, ou durante a manhã cedinho, antes das sete horas.
Escrevo pouco ao papel, adoro digitar no computador, mas gosto mais ainda de datilografar, um gosto falso, pois não possuo uma máquina datilográfica, mas queria muito.
Ao ler tenho a oportunidade de me desligar do mundo exterior e me encontrar na história, como um mero observador invisível, sem papel na história. A partir daí passo a ter sinestesias e conflitos com o autor, querer mudar a história, não querer mudar a história e exalar suor pela mãos de tanta ansiedade para chegar ao final do livro. Os livros podem ser decepcionantes, fascinantes, surpreendentes ou incrivelmente fascinantes e surpreendentes, não existem livros ilegíveis, qualquer livro está a espreita aguardando o leitor certo para possuí-lo e usá-lo.
Ao escrever, me sinto como o homem mais livre do universo, em parte, possuo textos que não publico, os textos de blogs possuem uma certa moderação e elegância. Todas as minhas fronteiras psicológicas se rompem e me trazem consigo a união de três dimensões infinitas, a cada palavra escrita com espontaneidade uma vontade infinita de escrever, que nunca é saciada, exceto quando canso do que estou escrevendo, me chateia, aí apago tudo e me irrito. Gosto de escrever durante a madrugada, pois é o momento em que mais observo o silêncio, ou durante a manhã cedinho, antes das sete horas.
Livros: Cada um escolhe o seu leitor
Certa vez me perguntaram:
O que fazer para estimular mais indivíduos à leitura?
Ao que eu respondi:
Não há o que fazer, o que tinha de ser feito já fora realizado, se todos realizassem uma autoanálise notariam que falta algo, que só encontrariam nos livros. Costumo dizer que os livros escolhem o seu leitor e não o oposto, pode acontecer o contrário, mas não será algo real e palpável. Se você pegar qualquer livro, por mais complexo que este seja e entregar a um ignorante, e entregar o mesmo livro a um intelectual, se o livro for o correto e proporcional ao ignorante, este entenderá mais rapidamente ou pelo menos de uma forma mais bonita e completa, um entendimento genuíno.
Nossa grande Lispector citou uma situação inusitada em entrevista à TV Cultura:
''Assim que publiquei A Paixão segundo G.H., houve um professor de letras que me relatou ter lido o livro 4 vezes e não ter entendido, no outro dia uma garota universitária de 17 anos me telefonou agradecendo por tal obra, e que o livro era o livro de cabeceira dela''.
Tudo me leva a crer que explorar a arte de ler e imaginar/sonhar é uma tarefa individual, pobre daquele que não usufrui de sua capacidade de ler, mas nem todo mundo é igual, eles podem ter algo ''melhor'' para fazer, diferente de mim que às vezes a única forma de sobreviver é lendo e escrevendo, quando não realizo estas duas ações me sinto sufocado, agoniado, afogado, perturbado, morto.
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