sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Você

Quando nenhuma música lhe satisfaz
Nem mesmo aquela, única
As palavras já não expressam sua sei lá o que
Uma sinestesia, a qual predomina a tristeza
Você quer e tenta escrever sobre qualquer outra coisa
Mas seu foco está somente no indesejado
Quando escreve textos, achando que conseguiu mudar o tema
Você repara que se trata daquilo que não queria escrever
Ao menos para você.
Quando algo lhe atormenta a ponto de só desejar estar morto, dilacerado, com vermes sobre seu corpo, enterrado.
Quando você não sabe qual rumo tomar, qual caminho percorrer, mas ao mesmo tempo você quer aproveitar, mas tudo parece complicar na sua vida, tudo é mais complicado na sua vida.
Quando você quer encontrar uma saída para não sofrer, para não gerar sofrimento, mas você se sente encurralado, imprensado, num cubo, o qual as faces e bases parecem querer lhe torturar, quebrar, mas nunca matar.
E quando você acha que o melhor é não prosseguir e parar onde está, retroceder, eliminar.
E um pensamento lhe perturba: ''A culpa disto tudo é minha, a maior parte. Eu ajo sempre errado e faço as coisas erradas, mas que pareciam as atividades certas a se fazer.''
E você só pensa, pensa, pensa, mas nada prece solucionar de forma ampla e efetiva, para que tudo fique bem, nesta vida nada fica bem por muito tempo.
Seu coração é muito quente, sua mente muito envolvente, que não se satisfaz com poucos risos, abraços, doces palavras, belas relações, não se satisfaz com pouco de  tudo, mas com muito de pouco.
Como você queria somente ir para casa e escapar de tudo isso, você busca isso, quer isso, mas tudo parece irrelevante.
Quando a única resposta e saída que você possui é talvez a mais dolorosa de todas: o tempo.
Quando você não queria ser você, em momentos, que viram experimentos de querer não ser pela eternidade.
Porém o mais doloroso disto tudo, é quando ''você'' sou eu.

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