sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Você prefere

Ser o que você quer?
Ser o que você não quer?
Ser o que os outros querem que você seja?
Ser o que os outros querem que você não seja?
Ser o que os outros querem que você seja mas você não quer?
Ser o que os outros não querem que você seja mas você quer?
Ser o que os outros querem que você seja e você quer?
Ser o que os outros não querem que você seja e você não quer?
Ser o que você é.

Trituração

Tenho pensado muito na vida, deixei isso de lado.
Quem pensa muito na vida certamente não sabe aproveitá-la, mas queria não sentir remorso.
Na medida que desvio minha atenção em achar que não sei sobre a vida, eu acho, pois prefiro achar do que não achar achando que não acho.
Tudo que sei sobre ela não cabe em mim, o que não sei estará por aí, em uma bala qualquer a acertar um crânio.
Não saber o que fazer durante a mocidade é enfraquecer o tempo, não vivê-lo da forma que ele passa, dançando em sua direção com um convite irrecusável porém inalcançável.
O mais pitoresco nisso tudo é que o mundo de mastiga e te cospe, com todas as ideias e sonhos, antes mesmo que você ache alguma coisa, pois na certeza de nada, há a incerteza de tudo.
Mas temos muito o que conquistar, a história está a espera de mais nomes, onde possa ser escrita da forma mais louca possível.
Isso não sou eu pensando na vida, sou eu pensando em aproveitar os sonhos que o mundo já cuspiu. 

sábado, 25 de outubro de 2014

TEXTO ''PILOTO''

Como de costume, não sou cordial quanto à apresentação de blogs, o que era para ser a primeira publicação está sendo a quarta.
Enfim, este aqui terá como foco desde análises críticas ou não de obras, passando por textos autorais um pouco longos, citações curtas, chegando ao acervo de vídeos, imagens e conteúdo bibliográfico. Nos textos autorais será abordado temas com o aspecto coletivo e individualista, mas nunca se tratando do meu eu, todos escritos engenhosamente em uma garagem durante o fim do universo.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski



Bom, agora estou aqui para falar da obra ''Memórias do Subsolo'' ou ''Notas do Subsolo'', livro que li aos catorze anos. Sempre fui fascinado pela literatura russa por abordarem de forma peculiar temas como: romance, drama, ficção, patriotismo e realismo, sendo abordados principalmente na era de ouro da literatura russa com uma aprimoração literária, semântica e filosófica.
Memória do Subsolo, escrito por Fiódor Dostoiévski, sempre com romances e dramas psicológicos/sociológicos complicados, retrata um simples trabalhador russo civil, que já aposentado reside no subsolo de um edifício na cidade de Petersburgo, triste e petulante.
No desenvolvimento da história, o protagonista que não possui um nome, por sua vez chamado de ''Homem Subterrâneo'', é apresentado como teimoso, egocêntrico e não dá a mínima para os sentimentos alheios, não ver sentido algum em ajudar alguém.
Há partes do livro em que ocorre uma espécie de introspecção, onde o personagem supõe os conceitos formados pelo leitor a respeito de dele, expressos através de pensamentos e ideias.
O homem subterrâneo mora somente com um empregado, com quem não conversa muito, mas relata situações vividas para o mesmo, o qual não dá muita importância.
O seu estranho gosto pela maldade chega a assustar, mas isso também o perturba, pois é um homem cheio de correntes filosóficas, não aceita sua classificação social de mero trabalhador e isso chega a tirar seu sono, nada vai bem para ele e  tudo é muito chato, um típico pessimista.
Esta primeira parte do livro é convidativa, pois somente depois dessa ''introdução'' a história de fato se inicia.
Depois da introdução de quase cinquenta por cento, se iniciam suas tristes e deprimentes memórias, a respeito de acontecimentos de sua vida, das mais remotas as mais recentes, tudo isso numa melancolia contagiante, durante todo o decorrer da história é notável a necessidade do personagem de desabrochar e se expressar de alguma forma todo essa dor e remorso, que o aflige e o faz infeliz,
O homem subterrâneo é uma montanha russa, acredita que em meio a tudo o que passa, consegue rir de seus atos maléficos? É o que o faz  feliz, mas ele não quer ser assim, e uma luta do consciente, do eu interior perturbante que envolve o leitor. Ao mesmo tempo que é relatado o drama, o livro relata parcialmente a cena do trabalhador russo menos favorecido do século XIX , com críticas ao positivismo e às leis naturais em que o homem está submerso. O livro é finalizado com a ideia de que o personagem precisa se libertar de seus pensamentos perturbantes e se aliviar, através do ato de escrever.

Ler ou Escrever?

Nossa, esse é um grande dilema, considero escrever mais frustrante, por isso gosto mais de ler, não obstante, ao término da leitura ou no meio do processo sinto uma  imensa vontade de escrever.
Escrevo pouco ao papel, adoro digitar no computador, mas gosto mais ainda de datilografar, um gosto falso, pois não possuo uma máquina datilográfica, mas queria muito.

Ao ler tenho a oportunidade de me desligar do mundo exterior e me encontrar na história, como um mero observador invisível, sem papel na história. A partir daí passo a ter sinestesias e conflitos com o autor, querer mudar a história, não querer mudar a história e exalar suor pela mãos de tanta ansiedade para chegar ao final do livro. Os livros podem ser decepcionantes, fascinantes, surpreendentes ou incrivelmente fascinantes e surpreendentes, não existem livros ilegíveis, qualquer livro está a espreita aguardando o leitor certo para possuí-lo e usá-lo.

Ao escrever, me sinto como o homem mais livre do universo, em parte, possuo textos que não publico, os textos de  blogs possuem uma certa moderação e elegância. Todas as minhas fronteiras psicológicas se rompem e me trazem consigo a união de três dimensões infinitas, a cada palavra escrita com espontaneidade uma vontade infinita de escrever, que nunca é saciada, exceto quando canso do que estou escrevendo, me chateia, aí apago tudo e me irrito. Gosto de escrever durante a madrugada, pois é o momento em que mais observo o  silêncio, ou durante a manhã cedinho, antes das sete horas.


Livros: Cada um escolhe o seu leitor



Certa vez me perguntaram:
O que fazer para estimular mais indivíduos à leitura?
Ao que eu respondi:
Não há o que fazer, o que tinha de ser feito já fora realizado, se todos realizassem uma autoanálise notariam que falta algo, que só encontrariam nos livros. Costumo dizer que os livros escolhem o seu leitor e não o oposto, pode acontecer o contrário, mas não será algo real e palpável. Se você pegar qualquer livro, por mais complexo que este seja e entregar a um ignorante, e entregar o mesmo livro a um intelectual, se o livro for o correto e proporcional ao ignorante, este entenderá mais rapidamente  ou pelo menos de uma forma mais bonita e completa, um entendimento genuíno.
Nossa grande Lispector citou uma situação inusitada em entrevista à TV Cultura:
''Assim que publiquei A Paixão segundo G.H., houve um professor de letras que me relatou ter lido o livro 4 vezes e não ter entendido, no outro dia uma garota universitária de 17 anos me telefonou agradecendo por tal obra, e que o livro era o livro de cabeceira dela''.
Tudo me leva a crer que explorar a arte de ler e imaginar/sonhar é uma tarefa individual, pobre daquele que não usufrui de sua capacidade de ler, mas nem todo mundo é igual, eles podem ter algo ''melhor'' para fazer, diferente de mim que às vezes a única forma de sobreviver é lendo e escrevendo, quando não realizo estas duas ações me sinto sufocado, agoniado, afogado, perturbado, morto.