Certa vez me perguntaram:
O que fazer para estimular mais indivíduos à leitura?
Ao que eu respondi:
Não há o que fazer, o que tinha de ser feito já fora realizado, se todos realizassem uma autoanálise notariam que falta algo, que só encontrariam nos livros. Costumo dizer que os livros escolhem o seu leitor e não o oposto, pode acontecer o contrário, mas não será algo real e palpável. Se você pegar qualquer livro, por mais complexo que este seja e entregar a um ignorante, e entregar o mesmo livro a um intelectual, se o livro for o correto e proporcional ao ignorante, este entenderá mais rapidamente ou pelo menos de uma forma mais bonita e completa, um entendimento genuíno.
Nossa grande Lispector citou uma situação inusitada em entrevista à TV Cultura:
''Assim que publiquei A Paixão segundo G.H., houve um professor de letras que me relatou ter lido o livro 4 vezes e não ter entendido, no outro dia uma garota universitária de 17 anos me telefonou agradecendo por tal obra, e que o livro era o livro de cabeceira dela''.
Tudo me leva a crer que explorar a arte de ler e imaginar/sonhar é uma tarefa individual, pobre daquele que não usufrui de sua capacidade de ler, mas nem todo mundo é igual, eles podem ter algo ''melhor'' para fazer, diferente de mim que às vezes a única forma de sobreviver é lendo e escrevendo, quando não realizo estas duas ações me sinto sufocado, agoniado, afogado, perturbado, morto.
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